Luisa Cuevas Raposo - galiza livre.- O 26 de julho conmemorou-se de novo o assalto Cuartel Moncada, querémo-nos referir especificamente à esência humanista da Revoluçom Cubana que se demostrou nos tempos de pandemia que vivemos e ainda estamos a viver, tanto na resposta sanitária na ilha, como na resposta internacional de Cuba.


O primeiro que hai que saber é que a própria Constituçom Cubana reconhece o direito à saúde pública e os princìpios de solidariedade internacionalista.

Mentres no mundo, e mesmo em países chamados desenvolvidos, morreram miles de pessoas sem direito a atençom médica, Cuba foi quem de controlar esta pandemia. A estratégia? priorizar o benestar humano, a participaçom da comunidade fronte ao benefício económico privado.

Foi vontade da Revoluçom desde os seus primeiros dias proporcionar ao povo cubano umha atençom sanitária de qualidade, o que nom foi tarefa fácil, já que a maior parte dos médicos e profesores da faculdade de medicina sairam do país, e no ano 59 só havia um hospital rural. No primeiro ano de Revoluçom já se estabeleceu o Serviço Médico Rural e na década seguinte centos de médicos e médicas recém graduadas integrarom este serviço. No 70 já havia 53 hospitais rurais. Só no 76 se recuperou a proporçom anterior à Revoluçom e os indicadores de saúde tinham melhorado considerabelmente. No 74 estabeleceu-se o sistema de policlínicos baseado nas comunidades e que facía fincapé no impacto que tinham na saúde os fatores biológicos, sociais, culturais, económicos e medioambientais. Centrarom os programas nacionais na saúde maternoinfantil, doenças infeciosas, doenças crónicas e a saúde das pessoas adultas maiores. No 83 implementaram o Plam de Médicos e Enfermeiros de Família com a mesma filosofía, maior proximidade e menor número de pessoas para atender. Estas equipas nom só trabalham com a saúde das pessoas mas também fazem diagnóstico da saúde sociocomunitaria. Além de trabalhar com as famílias, trabalham com os centros de trabalho, escolas, círculos infantis, residências de maiores, etc. Cuba tem hoje 9 médic@s por 1000 habitantes situando-se no primeiro lugar do mundo.

As campanhas de alfabetizaçom junto com o acompanhamento nas mesmas da figura de una pessoa encargada de saúde, a consecuçom do objectivo do sexto grado e posteriormente a secundária, e a melhora nas condiçons de vida e de trabalho completam a estratégia.

Com esta filosofía e esta armazom é que se enfronta a pandemia da Covid19.

O 29 de janeiro o Conselho de Ministros aprobou o “Plam para a prevençom e controlo do coronavirus” que posteriormente foi sendo atualizado. Dito plam involucrou às instituçons e a organizaçons sociais e comunitárias. O 3 de fevereiro “comezou a primeira etapa da capacitaçom para profissionais da saúde e trabalhadores dos organismos da Administraçom Central do Estado nos temas de bioseguridade e o 12 de febreiro creouse o Grupo Ciencia para o enfrontamento à Covid19” segúm escreveu o próprio Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, num artigo publicado xunto com Jorge Nunhez Jover, Presidente da Cátedra Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade da Habana.

Conforme ao Plam de Acçom Nacional para Epidemias, comezou a vigiláncia em portos, aeroportos e instalaçons marinhas e o pessoal de fronteiras e inmigraçom recebeu formaçom específica sobre a Covid19. Naquela altura especialistas de Cuba viajaram a China.

Logo forom creados o Observatorio da saúde Covid19 e o Comité de Innovaçom. A primeiros de março creou-se um grupo científico e biotecnológico para desenvolver probas, tratamentos e vacinas. No mes de fevereiro xa estavam aprobados cinco projectos de investigaçom e a día 1 de junho desenvolviam-se 460 investigaçons e 12 ensaios clínicos.

Reorganizaram-se as instalaçons médicas e formou-se em cascada por todo o país ao pessoal médico e sanitário, mas também de protecçom civil, da administraçom do estado, do sector educativo, cooperativas agrárias, “cuenta propistas”, do sector turístico, nom só dos hotéis mas também a quem alugam casas, etc. Fisseram-se reunions territoriais por tudo o país nas que participaram todas as autoridades de instituçons civis, militares, de protecçom civil, sanitarias, organizaçons comunitárias e os CDR’s reuniram-se com a povoaçom por bairros. Também sumaram a rede de hospitais militares às instalaçons já previstas para enfrontar a pandemia.

O 11 de março detetam-se os primeiros positivos em Cuba a tres turistas italianos. Inmediatamente todo o plam puxo-se em marcha.

As medidas que impediram a propagaçom da Covid19 em Cuba foram, além das de confinamento, suspensom de aulas, eventos culturais e desportivos, cese do transporte público e o feche do país ao turismo (que é fonte importantísima de emprego e de entrada de divisas), a rápida organizaçom de um sistema de saúde pública e de autoorganizaçom social, já treinado em outros desastres naturais e epidemias, algumhas delas froito de ataques imperialistas, em todo o território nacional.

Tudo o sector sanitário esteve integrado, os elementos epidemiológicos, os assistenciais e o potencial científico cubano. Mobilizou-se toda a estructura sanitária, partindo da atençom primaria e cubrindo as medidas preventivas, a curaçom e a recuperaçom das pessoas que sofrirom a doença.

A resposta exemplar de Cuba baseou-se, há que insistir, em primeiro lugar nas características do sistema de saúde cubano que é público, universal e gratuito; que prima a prevençom sobre a cura, com umha rede de medicina de família responsável da saúde comunitária e que vive entre as pessoas que atende e conhece as suas condiçons de vida, de trabalho, e por tanto os condicionantes para a sua saúde. Em segundo lugar, na indústria biofarmacéutica orientada às necesidades da saúde pública. Em terceiro lugar a experiencia da ilha em matéria de defensa civil e enfrontamento de desastres naturais, com umha grande rede de organizaçons populares que o facilitam. E em quarto lugar a experiencia no controlo de doenças contaxiosas.

As medidas que se adotaram foram:

  • Busca ativa de casos com todo o pessoal sanitário de primária mais 28.000 estudantes das diferentes carreiras sanitárias que pesquisavam casa por casa procurando posíveis positivos, tomando temperaturas e detetando síntomas. Esta pesquisa porta a porta foi implantada em Cuba no ano 81 cando o país sufriu umha grave epidemia de dengue.
  • Protocolo para um cenário preventivo e outro terapéutico.
  • Creaçom por toda a ilha de centros de ilhamento com atençom médica em polideportivos, parques de campismo, hotéis, universidades e outras instalaçons, para os casos menos graves ou que tivesem estado em contato com os casos xa confirmados.
  • Controlo diário nos hotéis nos que se hospedam pessoas estrangeiras.
  • As policlínicas fam seguimento durante 14 días a quem já foram dadas de alta.
  • No cenário preventivo houve acçons específicas sobre o pessoal da saúde sendo que só se contaxiaram 92 profissionais e nom morreu nehum.
  • Clasificou-se a toda a povoaçom em catro grupos: aparentemente sans, com factores de risco da doença, doentes e em proceso de recuperaçom ou rehabilitaçom. Todo esto partindo de que no Consultorio da Família conhecem as características da saúde da povoaçom que tenhem ao seu cargo.
  • No tratamento utilizaram-se vários dos 22 medicamentos desenvolvidos pela indústria Biotecnolóxica e Farmaceutica cubana com vias a melhorar a inmunidade, entre eles o Interferóm Alfa 2B, a Biomodulina T que leva utilizándo-se 12 anos para tratar infecçons respiratorias recurrentes em pessoas maiores, o anticorpo monoclonal Anti CD6, utilizado para tratar linfomas e leucemia e que se lhe administrou a doentes Covid 19 em estado crítico para reducir a inflamaçom provocada polo fluxo masivo de líquido nos pulmóns e o péptido CIGB 258 para reducir procesos inflamatórios. Nalguns casos utilizous-e plasma de doentes recuperados.
  • Também se lhe deu a toda a povoaçom o medicamento homeopático Prevengho-vir que se pensa que fortalece o sistema inmunolóxico.
  • A primeiros de maio já dispunham de um sistema de diagnóstico cubano que permite realizar probas masivas a baixo costo sem ter que depender das carísimas probas compradas no estrangeiro.
  • Tomaram-se medidas especiais para que a Covid19 nom entra-se nos cárceres facendo probas até duas vezes ao día.

Ponher a saúde das pessoas no centro das prioridades é a chave do éxito.

Jamais colapsou o sistema de saúde.

Medidas ecónomico-sociais

Além das medidas sanitárias tomaram-se outras, nom menos importantes, de contido económico-social, como suspender os impostos aos negócios, suspender as dévedas domésticas, asegurar o 50% do salários às pessoas hospitalizadas, o 70% do salário às trabalhadoras e trabalhadores que virom suspensa a sua actividade, asistência social com entrega de comida, medicamentos e outros artigos de primeira necesidade aos fogares com ingresos mas baixos e suspendeuse o pago das facturas dos serviços públicos.

Miles de pessoas que ficaram sem emprego foram reubicadas na producçom masiva de máscaras, e equipas de protecçom, produtos médicos e sanitários para BioCubaFarma e moitas empresas estatais e contapropistas trabalharom na reparaçom de equipos vitais como os respiradores. Mesmo houve um movimento popular de producçom doméstica. Também se organizaram grupos comunitários de axuda mútua.

A 5 de agosto havia confirmados 2.701 casos e faleceram 88 pessoas de umha povoaçom de 11,2 milhons, o que pom a Cuba no lugar 96 do mundo. Fixeronse perto de 350.000 probas.

O internacionalismo da Revoluçom Cubana

No âmbito internácional, Cuba comezou por ser solidária com a passagem do cruzeiro MS Braemar abandonado à sua sorte por umha semana, mentres Curazao, Barbados, Bahamas, Dominicana e os EEUU lhe denegab+vam o desembarco por ter confirmados 5 casos entre as 684 pessoas que viaxavam nele. As autoridades cubanas montaro¡am um grande operativo para desembarca-lo e envia-los num voo charter ao seu país de origem.

A seguir enviou umha brigada médica a Italia, sendo que por primeira vez enviava umha destas brigadas a um país do chamado primeiro mundo ou mundo desenvolvido.

Durante 60 anos, 400.000 profissionais da saúde acudirom mediante a cooperaçom médica a 164 naçons. Cuba formou no seu territorio a mais de 35.000 profissionais de outros países. As e os médicos cubanos chegabam lá onde os estados nom podiam chegar ou os médicos, procedentes das elites locais, nom queríam desprazarse. Misons como a “operaçom milagro” que devolveram à vista de centos de miles de pessoas em Venezuela, Brasil, Uruguay, Guatemala, Argentina, etc., som paradigmáticas.

Cando comezou a pandemia, Cuba tinha 28.000 profissionais sanitários em 59 países. Durante a pandemia acudiu com 34 brigadas e 3.300 profissionais, 2.000 deles mulheres, a 27 países. Este pequeno país é o numero 1 como donante a nível internacional (o 30% do total) e despraza mais cooperantes que todo o G8 xunto.

A maior parte destes anos Cuba era quem asumia todo o custe destas misons solidárias. A primeira vez que Cuba recebeu algo a cambio foi no programa “petróleo por médicos” que levou 30.000 sanitários e sanitárias a Venezuela.

Cuba tem intercámbios com outros países nos que se valora o trabalho destas brigadas ainda que, geralmente, nom se chega a cubrir todos os custos. Umha parte desses ingresos vam a soster o próprio sistema de saúde pública cubana e os programas que continuam a ser gratuitos nos países mais necessitados como por exemplo Haití. Pese às campanhas contra as misons médicas, hai que informar que as trabalhadoras e trabalhadores da saúde que se integram nesas brigadas; asinam um convenio que recolhe dereitos e deberes e, quando há compensaçom económica, umha parte entregaselhe a eles e elas.

As brigadas a Italia e Andorra foram totalmente solidárias, nom se cobrou nada por parte de Cuba nem de quem as integravam.

A resposta do imperialismo é o ataque e a difamaçom e a resposta de prensa internacional é o silêncio, quando nom facerse eco das mentiras vertidas sobre a natureza desta cooperaçom solidaria cubana.

O bloqueio

Inclusive numha situaçom tam crítica, tanto sanitária como económica, os EEUU reforzaram o bloqueio com novas medidas como prohibir os voos charter, sancionar a varias empresas para obstaculizar as remesas e os pagos de turistas através de plataformas como a Airbnb, retirar da ilha a gigante hoteleira Marriot e multar a empresas estrangeiras implantadas em Cuba. Mesmo impediu a compra de respiradores, e até umha doaçom da China nom puido chegar a Cuba por temor a umha multa à aerolinea que a transportava.

Jamais escuitamos num telejornal nem limos na imprensa escrita umha nova sobre o que estava a acontecer com a Covid-19 em Cuba e a sua solidariedade internacionalista, nem por suposto sobre estas medidas adoitadas polo goberno dos EEUU.

Por isso é mais necessário que nunca rachar co bloqueio informativo e a manipulaçom mediática e, sobre todo, rachar co bloqueo económico, comercial e financieiro que afoga o desenvolvimento de Cuba e a sua Revoluçom.

Solidaridad
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